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Como Evitar Que O Pc Trave


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Posted 10/11/2004, 00:22

Como evitar que o PC trave

Laércio Vasconcelos
01/08/2003 12:49


Boa parte dos PCs apresenta algum tipo de travamento. Pode ser a temível “tela azul da morte”, que normalmente caracteriza um problema no hardware, ou os erros de operação ilegal ou erros gerais, daqueles que mostram uma janela com diversos números hexadecimais, muitas vezes causados por software. Quando isso ocorre, o PC precisa ser revisado por um bom técnico. Mas vejamos quais são as causas mais comuns desses problemas e o que o usuário pode fazer para evitá-los.

Muitos PCs, principalmente os de baixo custo e montados em pequenas lojas (geralmente sem marca) usam peças de má qualidade. A placa-mãe, o componente mais importante do computador, deve ser de boa qualidade, caso contrário ela poderá ser sempre problemática. O mesmo se aplica a outras placas, como as de modem, de vídeo, de rede e de som. Mas com a placa-mãe os problemas costumam ser mais graves, resultando no travamento geral do micro. Um modem ruim, por exemplo, pode no máximo causar dificuldades de conexão com a internet, como baixa velocidade ou a interrupção da conexão. Já uma placa-mãe ruim faz o micro parar totalmente.

Muitos montadores de micros, visando reduzir o preço, usam peças de baixa qualidade, usadas ou recondicionadas. De modo geral, quanto mais barato é o micro, maior é a chance de vir a ter problemas. É preciso entender portanto que travamentos causados devido ao uso de componentes de qualidade duvidosa não têm solução. Uma placa barata pode apresentar mau contato depois de alguns meses de uso, seja por problemas nos conectores ou mesmo por erros de projeto.

Incompatibilidade entre componentes

Teoricamente qualquer placa de CPU funciona com qualquer placa de vídeo, processador ou memória, desde que todos sigam o mesmo padrão. Um módulo de memória DDR266 deve funcionar em qualquer placa de CPU que tenha soquete para esse tipo de memória. Na prática, porém, podem ocorrer algumas incompatibilidades. Uma placa de vídeo às vezes não funciona corretamente com determinada placa de CPU. Os fabricantes normalmente não testam a compatibilidade total dos seus produtos. São milhares de modelos de placas de CPU e de placas de expansão, e a compatibilidade total nem sempre está assegurada. Aqui entra em ação o trabalho do montador de micros, que tem a obrigação de testar previamente a compatibilidade das peças usadas nos PCs que produz. Se o problema for de incompatibilidade, não há solução para esse tipo de travamento.

Montar um PC é relativamente fácil, por isso existem muitos montadores no mercado, geralmente com pouca capacidade técnica, o que quase sempre resulta em parafusos mal atarraxados, cabos desorganizados, fonte de alimentação mal dimensionada, coolers pequenos demais e sem pasta térmica. Um micro que funciona bem quando está na posição horizontal e trava ao ser colocado na posição vertical provavelmente tem erros mecânicos na montagem. Felizmente um bom técnico tem condições de revisar e corrigir eventuais falhas.

A descarga eletrostática é outro problema comum em micros. Nosso corpo acumula cargas elétricas conforme nos movimentamos. Ao andar no carpete, retirar um casaco de lã ou levantar-se de uma cadeira, o atrito do corpo resulta na troca de elétrons que gera uma carga potencial que pode chegar a milhares de volts. Tanto é assim que muitas vezes levamos choques ao tocarmos em maçanetas e outros materiais metálicos. Não sentimos choque quando a voltagem é mais baixa, mas podemos danificar chips com essas descargas. Quando tocamos nos diversos chips, memórias, processadores, placas e circuitos em geral, estamos provocando pequenas descargas eletrostáticas que podem danificá-los.


A figura ao lado mostra um trecho interno de um chip, visto com o microscópio, danificado por uma descarga eletrostática. Por isso, sempre segure placas, processadores e módulos de memória pelas bordas laterais, sem tocar nos contatos metálicos. Além disso, descarregue periodicamente a eletricidade estática, tocando as duas mãos em algum material metálico, como a chapa interna do gabinete do computador. No caso de montadores de PCs, o ideal é usar uma pulseira antiestática.

A descarga eletrostática pode danificar um chip imediatamente. É o que se chama de falha catastrófica. Pior ainda é a chamada falha latente: o chip pode continuar funcionando, mas ficar parcialmente danificado e estragar totalmente depois de algum tempo de uso. Quando um PC tem peças danificadas por eletricidade estática, não há o que fazer, a não ser trocá-las.

Aquecimento e falha na memória

O aquecimento é outra causa de travamento que o usuário pode corrigir, sozinho, se tiver alguma habilidade em mexer com hardware. Do contrário, deve recorrer a ajuda de um técnico. Os PCs modernos, equipados com processadores velozes como o Pentium 4 e o Athlon XP, esquentam mais que os PCs mais antigos. O calor é ainda maior quando se leva em conta o uso de placas 3D de alto desempenho, gravadores de CDs e discos rígidos de 7.200 rpm, todos componentes que retêm bastante calor. PCs com gabinetes muito compactos tendem a ficar mais aquecidos. O ideal é usar gabinetes com no mínimo 50 centímetros de altura, chamados de midi torre. Esses gabinetes devem ter, além do exaustor da fonte, que suga o ar quente para a parte traseira do computador, um outro ventilador dianteiro, que suga o ar frio para o interior do gabinete.

Opcionalmente pode-se usar ainda um ventilador-exaustor, instalado também na parte traseira do gabinete. Os melhores gabinetes já vêm com todos esses ventiladores, mas é possível comprá-los separadamente e fazer a instalação.

É muito importante organizar também os cabos flat no interior do gabinete, para que não atrapalhem o fluxo de ar. No CD-ROM que acompanha a placa de CPU há um programa que faz a monitoração de diversos itens de hardware, como a temperatura do processador e do gabinete. São chamados respectivamente de CPU temperature e motherboard temperature. A temperatura interna do gabinete não deve ser superior a 45°C. Se estiver elevada, é preciso instalar ventiladores adicionais e organizar os cabos flat no interior do gabinete.

O cooler do processador deve ter tamanho apropriado, devido à sua velocidade. Um bom cooler chega a custar R$ 100, e muitos montadores de PCs usam coolers menores e mais baratos. Eles conseguem refrigerar bem o processador quando este não está sendo muito exigido – usando programas como, por exemplo, Word, Excel e acesso à internet. O aquecimento do processador é muito maior na execução de programas pesados, e um cooler mesmo bem dimensionado pode não conseguir manter o processador na temperatura adequada (o ideal é que não ultrapasse os 75°C).

A instalação de um cooler correto, acoplado ao processador por meio de pasta térmica, resolve esse tipo de problema. Quando o micro travar e o usuário desconfiar que seja por causa do aquecimento, use o programa de monitoração de temperatura ou então o CMOS Setup, que também faz essa medição. Valores elevados (acima de 70°C graus para o processador e acima de 45°C para o gabinete) confirmam o problema de aquecimento.

Nem todas as memórias são totalmente compatíveis com todas as placas de CPU. Certos fabricantes de placas de CPU divulgam listas de marcas e modelos de módulos que tiveram a compatibilidade testada, o que assegura o funcionamento em conjunto entre eles. Se for instalada uma memória genérica (o que ocorre na maioria das vezes), também é quase certo que funcionará, mas não se pode garantir isso com 100% de certeza. Em casos de incompatibilidade, o PC pode apresentar a “tela azul da morte”, erros fatais e operações ilegais ou reiniciar o computador. O PC também pode ficar totalmente travado, inclusive sem reconhecer movimentos do mouse e comandos pelo teclado. As causas desses problemas são as mais variadas, mas a memória é a suspeita número um. Se possível, substitua os módulos de memória, que podem ter defeitos ou ser incompatíveis.

Uma forma de testar se as memórias estão funcionando ou não é usar programas de diagnóstico. Quem possui o Norton Utilities pode usar o programa NDIAGS.EXE para fazer esse teste. É preciso gerar um disquete de boot com o programa e seus arquivos auxiliares (NDIAGS.* e o arquivo NLIB*.DLL, que varia de acordo com a versão do programa). Para isso, desative os caches L1 e L2 pelo CMOS Setup e execute um boot com esse disquete. Execute o NDIAGS e deixe-o testando a memória durante várias horas seguidas. Eventuais defeitos serão detectados dessa forma.

Quando são instalados dois ou mais módulos de memória SDRAM ou DDR, pode ser necessário fazer um pequeno ajuste no Advanced Chipset CMOS Setup. Programe o item SDRAM TIMING como “manual” (a opção default é SPD) e altere o CAS Latency para 3. Em certos casos, os módulos podem informar que operam com latência 2, mas quando são instalados dois ou mais em conjunto, pequenos retardos nos sinais digitais podem impedir o correto funcionamento com essa latência, tornando necessário o aumento manual para 3.

Drivers de chipset e programas corrompidos

É preciso instalar a versão mais nova dos drivers do chipset da placa-mãe. Essa instalação deve ser feita preferencialmente quando o Windows é instalado, mas é possível fazê-lo posteriormente. Esses drivers são obtidos no CD-ROM que acompanha a placa de CPU, mas deve-se, preferencialmente, usar a versão mais nova, encontrada no site do fabricante da placa de CPU. Sem esses drivers instalados, o computador pode apresentar inúmeras anomalias, inclusive travamentos. Além disso, é preciso instalar também as versões mais novas dos drivers de todas as placas de expansão e também dos dispositivos on-board (som, vídeo etc.).

Dentro do PC existem inúmeras conexões de cabos e placas. Quando o computador é transportado ou aberto para ser feita alguma alteração, os cabos podem ficar parcialmente soltos ou afrouxar as conexões, o que resulta em maus contatos. Um PC que está há muito tempo sob ação de poeira e de umidade também pode ter seus contatos eletrônicos afetados. Finalmente, micros com peças de baixa qualidade podem ter conectores sem proteção contra oxidação. Os melhores conectores são revestidos por uma fina camada de ouro que retarda a oxidação. Conectores de baixa qualidade não possuem essa camada e o mau contato pode surgir depois de alguns meses. O computador pode apresentar um comportamento intermitente, sem seguir lógica alguma, ora funcionando bem, ora com travamentos. Um bom técnico deve verificar todas as conexões e realizar uma limpeza geral nos contatos eletrônicos. Limpezas gerais de contatos feitas uma vez por ano podem evitar inúmeros problemas.

Programas e os arquivos que os acompanham podem ficar corrompidos (com o conteúdo modificado) quando o computador é desligado de forma indevida. A execução automática do Scandisk ou similar ao ser detectado um desligamento indevido tende a reduzir a ocorrência desses problemas. No Windows XP, arquivos de sistemas excluídos ou modificados são automaticamente restaurados, evitando que fiquem corrompidos. Ainda assim, se determinados travamentos e erros ocorrem sistematicamente em determinados programas, é recomendável que o programa seja desinstalado e instalado novamente. Assim as versões com problemas serão substituídas pelas versões originais desses arquivos. Reinstalar software é portanto um procedimento correto.

Arquivos do Windows também podem ficar corrompidos, mas uma reinstalação resolve o problema. Entretanto, na maioria das vezes não é preciso formatar o disco rígido, como muitos o fazem. Basta instalar o Windows “por cima” do sistema atual. Os aplicativos instalados e os demais dados existentes no disco rígido serão preservados. Apenas quando este procedimento não resolver o problema é justificável formatar o disco rígido e instalar o Windows a partir do zero. O problema é que isso requer um backup prévio de todos os dados. Também será preciso instalar todos os drivers e a seguir todos os aplicativos. Mas tome cuidado, muitas assistências técnicas formatam o disco rígido por qualquer motivo.

O bugs em programas também são outras causas de travamentos. Mas isso é relativamente fácil de diagnosticar. Quando um PC trava aleatoriamente, em qualquer programa, pode estar ocorrendo um defeito de hardware. Quando os problemas ocorrem especificamente em um determinado programa, pode ser culpa do próprio programa. É preciso instalar uma atualização, que muitas vezes é gratuita e visa corrigir problemas encontrados pelos usuários. Muitas vezes é possível encontrar soluções no help on-line do site do fabricante do software ou no suporte via telefone. Atualizações são muito comuns em jogos. Esses programas exigem normalmente todos os recursos do computador, e tendem a apresentar problemas com mais facilidade que aplicativos comuns. Quando apenas alguns jogos travam e outros semelhantes funcionam bem, o indicado é procurar o site do fabricante para fazer o download das atualizações. O próprio Windows pode, eventualmente, apresentar alguns bugs. Correções são obtidas por meio do comando Windows Update.

Erros em programas e arquivos executáveis


Erros em programas e arquivos executáveis (extensões
.exe, .sys,
.dll etc.) resultam normalmente
em mensagens como a da figura ao lado.



Ela mostra vários números hexadecimais, como o conteúdo dos registradores internos do processador e o trecho do programa (em linguagem de máquina) onde ocorreu o erro. Tais informações são úteis para o desenvolvedor do software, que tem acesso ao programa original (fonte) e ferramentas para identificar o problema. Para o usuário, essas informações, entretanto, são inúteis. A seção PC World Responde recebe centenas de e-mails por mês, os quais o leitor digita pacientemente todos os números apresentados nesse relatório. Infelizmente não é possível analisar esses números, já que não temos acesso ao código-fonte do programa.

Ainda assim, quadros como o do exemplo podem fornecer algumas pistas. Observe na figura acima que o arquivo envolvido no problema foi o LEXLMPM.DLL. Procurando esse arquivo com o comando Localizar ou Pesquisar, o usuário pode clicar nele com o botão direito e escolher no menu a opção Propriedades. São apresentadas informações sobre o arquivo, incluindo o seu fabricante. Com isso, podemos então ter uma pista sobre a origem do problema. O arquivo citado pode fazer parte dos drivers de uma impressora Lexmark que esteja apresentando alguma incompatibilidade com o Windows ou mesmo com a interface de impressora. Tente obter drivers mais novos no site do fabricante.

No site da Microsoft há também várias dicas sobre problemas típicos reportados pelos usuários. Use o comando Search e preencha as palavras Error e LEXLMPM.DLL ou SPOOL32 (os nomes dos programas envolvidos no erro) e escolha a opção ALL WORDS. Serão apresentados diversos links a respeito de erros conhecidos nesses arquivos, e muitas vezes é indicada a solução. Certos problemas ocorrem apenas em determinadas situações, com determinados programas. Quando o problema é comum, tanto a Microsoft quanto o fabricante do software ou produto envolvido podem pesquisá-lo e apresentar uma solução.

Uma saída seria construir uma extensa tabela contendo a solução Y para cada problema X, levando-se em conta as mensagens de erro que o computador costuma apresentar. Mas isso não é possível, por um motivo simples: o PC é um computador de arquitetura aberta e, apesar dos padrões, podem ser produzidos em bilhões de combinações diferentes de placa-mãe, processador, memória, placas de expansão e softwares. Seria praticamente impossível para os fabricantes testar todas as combinações, e mesmo respeitando os diversos padrões existentes (os grandes fabricantes fazem esses testes com as peças que utilizam nos seus PCs) eles não têm como garantir o funcionamento 100% correto. Somando-se a esta diversidade, os defeitos de hardware, os problemas de temperatura, as descargas eletrostáticas e o despreparo de alguns técnicos, temos um quadro muito propício para se ter PCs problemáticos.


http://pcworld.uol.c...cumento=8204528
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